O PT e a "mulambada" emergente


Candidato a vice na chapa presidencial de Jair Bolsonaro (PSL), o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB) criticou nesta segunda-feira a política externa dos governos petistas e classificou como "mulambada" os aliados emergentes do Brasil, da cooperação Sul-Sul. Afirmou também que o Brasil "jamais" será igual à Venezuela e que as Forças Armadas no País não serão cooptadas para um projeto autoritário.


Em um encontro com empresários do Secovi, o sindicato da habitação, na capital paulista, criticou a articulação dos governos petistas para ocupar um assento no conselho permanente da Organização das Nações Unidas (ONU): "É de rir porque nenhum dos cinco grandes que têm assento permanente lá vai abrir espaço para o Brasil entrar simplesmente porque é o Brasil, porque somos um povo alegre e gostamos de nos relacionar com os outros. Não. Teríamos de ter poder para furar esse bloqueio".


Em seguida, atacou a aliança com os emergentes, que marcou sobretudo o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT): "Partimos também para aquela diplomacia chamada Sul-Sul e aí nos ligamos com toda mulambada, me perdoem o termo, do outro lado do oceano e do lado de cá e não resultou em nada, só em dívidas e estamos levando calote. Entregamos os nossos recursos para esse pessoal. Vamos ter que inverter isso aí”.


Mourão defendeu acordos comerciais com grandes mercados e com "países que têm importância dentro do conselho das nações". General da reserva, ele foi aplaudido ao falar que o Brasil "jamais virará uma Venezuela" e justificou dizendo que é por uma razão muito simples: "As nossas Forças Armadas não foram e jamais serão cooptadas para o projeto totalitário dessa natureza. Tenham certeza disso".


Mourão disse também que a reforma da Constituição "é a mãe de todas as reformas" e que a Carta Magna brasileira está desatualizada. A nova Constituição, segundo ele, não precisa ser feita por uma Constituinte, mas por "notáveis". Ao falar sobre isso, disse que foi taxado de antidemocrático: "Se eu fosse antidemocrático eu não estaria participando da eleição, eu estaria lá com a minha 45, limpando ela bonitinho e aguardando melhores dias. Não é isso o que estou fazendo, obviamente", disse, sob aplausos.


-- Nenhum de nós tem dúvida de que a nossa Constituição é terrível. Ela abarca do alfinete ao foguete. A minha visão é clara. A Constituição tem de ser de princípios e valores, ou seja, o norte, a bússola do país para o resto da sua existência.


O vice de Bolsonaro afirmou também que o País vive uma crise de valores e que por trás do tráfico de drogas estão famílias desestruturadas, "sem pai nem avô": "A família sempre foi o núcleo central de tudo isso aí. A partir do momento em que a família é dissociada, surgem os problemas sociais que estamos vivendo. E atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai nem avô. É mãe e avó. Por isso, torna-se realmente uma fábrica de elementos desajustados e que tendem a ingressar nessas narcoquadrilhas que hoje afetam todo nosso País e em particular as nossas grandes cidades".


Em um dos momentos em que mais foi aplaudido na palestra, Mourão defendeu "direitos humanos para humanos direitos": "Se a polícia age como polícia, ela é duramente criticada, é o genocídio, o martírio da população brasileira. Não é isso. É trabalho da polícia enfrentar isso aí. E temos de ter muito claro que direitos humanos são para os humanos direitos".

As informações são do jornal Valor Econômico.

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