Documento sobre morte? Bolsonaro: “Isso é balela”


O presidente Jair Bolsonaro questionou nesta terça-feira a legitimidade da Comissão da Verdade, que apurou crimes cometidos na ditadura militar.

Ele deu a declaração ao ser perguntado por jornalistas sobre a conclusão da comissão para a morte de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.


De acordo com a Comissão da Verdade, Fernando foi preso e morto por agentes do Estado brasileiro na ditadura militar. O atestado de óbito de Fernando, incluído no último dia 24 no sistema da Comissão de Mortos e Desaparecidos, diz que ele foi morto pelo Estado brasileiro.


A presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Eugênia Gonzaga, classificou a fala de Bolsonaro como "extremamente grave".

Na entrada do Palácio da Alvorada, jornalistas questionaram o presidente de que a versão dele contraria a oficial. Bolsonaro respondeu:


"Você acredita em Comissão da Verdade? Qual foi a composição da Comissão da Verdade? Foram sete pessoas indicadas por quem? Pela Dilma", disse o presidente.


Bolsonaro ainda chamou de "balela" documentos sobre mortes na ditadura: “Nós queremos desvendar crimes. A questão de 64, existem documentos de matou, não matou, isso aí é balela".


Indagado se está disposto a fornecer as informações que dispõe sobre a morte de Fernando para o STF, o presidente disse que não tem registros escritos e que sua versão está baseada em "sentimento".


“O que eu sei é o que falei para vocês. Não tem nada escrito que foi isso, foi aquilo. Meu sentimento era esse”, disse Bolsonaro.


Perguntado se tem documentos para mostrar que Fernando foi morto por um grupo de esquerda, o presidente ironizou:


"Você quer documento para isso, meu Deus do céu? Documento é quando você casa, você se divorcia. Eles têm documentos dizendo o contrário?"


Em nota, o ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça Gilson Dipp, que coordenou a Comissão da Verdade, disse que o colegiado foi criado por lei federal com "ampla discussão prévia", inclusive com as Forças Armadas.


Segundo Dipp, a comissão brasileira foi a última a ser instalada depois das ditaduras militares ocorridas na América Latina e a sua composição não foi uma escolha pessoal de Dilma, "mas fruto de um amplo consenso”.

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