A sociedade faria essa escolha, afirma Luiz Fux


O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta quinta-feira ao "Broadcast Político" do Estadão que o juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, é um "excelente nome" para comandar o superministério da Justiça no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL): "A sua escolha foi a que a sociedade brasileira faria, se consultada".


Na avaliação de Fux, o juiz federal é "símbolo da probidade e da competência" e sua escolha ocorreu "por genuína meritocracia. Ele imprimirá no Ministério da Justiça a sua marca indelével no combate à corrupção e na manutenção da higidez das nossas instituições democráticas, prestigiando a independência da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário".


Um segundo ministro do STF, que pediu para não ser identificado, acredita que a ida de Moro ao superministério da Justiça foi uma "jogada de marketing" do governo Bolsonaro - com data de validade - e colocará o magistrado no centro do debate político, vulnerável a críticas sobre a sua futura gestão. Para esse integrante do STF, juízes, de uma forma em geral, são "péssimos gestores" e a futura nomeação de Moro dá munição ao discurso do PT de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso e condenado no âmbito da Operação Lava Jato, é alvo de perseguição política e de julgamento parcial.


Outro ministro do STF, Marco Aurélio Mello, afirmou que é preciso respeitar a decisão do juiz Sérgio Moro de aceitar o convite para assumir o Ministério da Justiça e Segurança. Indagado sobre se a mudança de cargo pode ser usada para questionar as decisões de Moro na Lava Jato, o ministro disse que não. Petistas pedem a libertação do ex-presidente Lula.


Para Marco Aurélio, a decisão de Moro "é um divisor de águas. Ele vem atuando como Estado-juiz. Deixando a magistratura, vem a ser Estado-Executivo. Temos que separar as coisas. Não dá para confundir o período anterior com o atual. É a opção dele, cada qual faça a sua. Vamos respeitar o colega".

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