Witzel afastado do governo. Pastor Everaldo está preso


O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves, relator da Operação Placebo, decidiu afastar o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), do cargo por 180 dias, em razão de supostos desvios da Saúde do Estado. A decisão ainda proíbe o acesso de Witzel às dependências do governo do Estado e a sua comunicação com funcionários e utilização dos serviços, informa o Estadão. A medida faz parte da Operação ‘Tris in Idem’ que faz buscas em seis Estados e no Distrito Federal e tenta prender 17 pessoas, entre elas o presidente do PSC, Pastor Everaldo, detido esta manhã em sua casa, no Rio, e o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Lucas Tristão e o ex-prefeito de Volta Redonda Gothardo Lopes Netto.


“Os fatos não só são contemporâneos como estão ocorrendo e, revelando especial gravidade e reprovabilidade, a abalar severamente a ordem pública, o grupo criminoso agiu e continua agindo, desviando e lavando recursos em pleno pandemia da Covid-19, sacrificando a saúde e mesmo a vida de milhares de pessoas, em total desprezo com o senso mínimo de humanidade e dignidade, tornando inafastável a prisão preventiva como único remédio suficiente para fazer cessar a sangria dos cofres públicos, arrefecendo a orquestrada atuação da organização criminosa”, destaco u o ministro do STJ na decisão.


Witzel foi notificado sobre seu afastamento no Palácio dos Laranjeiras. A medida foi considerada previsível por integrantes do STJ ouvidos reservadamente pela reportagem. Na avaliação de um ministro, o governador se cercou de péssimas companhias. Segundo o Estadão apurou, as medidas foram tomadas por Gonçalves para impedir a reiteração de crimes e para garantir o aprofundamento das investigações. “A defesa do governador Wilson Witzel recebe com grande surpresa a decisão, tomada de forma monocrática e com tamanha gravidade”, afirmam os advogados de Witzel.


Em pronunciamento de mais de 20 minutos à imprensa no fim da manhã, Witzel se disse indignado e “vítima de perseguição política”. Ele afirmou que vai recorrer do afastamento e seguirá morando no Palácio Laranjeiras. “Não fui despejado.”


Ele acusou a procuradora Lindôra Araújo, responsável por sua denúncia, de perseguição e ligação com a família Bolsonaro, de quem se tornou desafeto. “Uma procuradora cuja imprensa já denunciou um relacionamento próximo com a família Bolsonaro. Bolsonaro que já declarou que quer o Rio de Janeiro, já me acusou de perseguir a família dele”, disse Witzel.


O governador afastado chamou a busca e apreensão promovida pela Polícia Federal em sua residência oficial de “busca e decepção”. “Não encontrou um real, uma joia. Foi mais um circo. Lamentavelmente, a decisão do excelentíssimo senhor ministro Benedito, induzido pela procuradoria da República, na pessoa da doutora Lindôra, que está se especializando em perseguir governadores, desestabilizar os Estados da federação, com investigações rasas, buscas e apreensões preocupantes”, disse Witzel. Ele ainda chamou o ex-secretário de Saúde do Estado Edmar Santos – que chegou a ser preso e, em delação premiada, acusou Witzel de ter ligação com desvios – de “canalha” e “vagabundo”. De acordo com Witzel, a delaç&ati lde;o de Edmar Santos é “mentirosa”.


Entre os alvos das buscas da ‘Tris in Idem’ estão a primeira-dama Helena Witzel e André Ceciliano, presidente na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Agentes estiveram na sede administrativa da Casa na Rua da Alfândega, a poucos metros do Palácio Tiradentes, e também na casa do parlamentar na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. A PF também cumpre mandados no Palácio Laranjeiras, no Palácio Guanabara e na residência do vice-governador, Cláudio Castro.


Na decisão, o ministro determinou a prisão preventiva de seis investigados: o empresário Mário Peixoto, Alessandro de Araújo Duarte, Cassiano Luiz da Silva, Juan Elias de Paula Gothardo Lopes Netto e Lucas Tristão do Carmo, para a garantia da ordem pública, para a conveniência da instrução criminal e para assegurar a lei penal. Os presos e Witzel estão proibidos de manterem contato entre si e com os demais investigados, exceto se cônjuges ou pais e filhos, e com as testemunhas da investigação.

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