Porandubas Políticas 660

Historinha do RN

Governador do RN, Dinarte Mariz foi a Macau para a festa de inauguração da cadeia pública. O prefeito Venâncio Zacarias, ex-sindicalista salineiro, tascou o verbo no discurso de recepção:

- Governador, a cadeia está inaugurada e o senhor pode se sentir em sua Casa.

Risos gerais.


O sangue de Churchill

"Espero que meus amigos e colegas, ou colegas de outrora, que tenham sido afetados pela reconstrução política, sejam tolerantes e me desculpem por qualquer falta de cerimônia na maneira por que fui compelido a agir. Eu diria a esta Casa, como disse àqueles que passaram a formar este governo:

- Eu nada mais tenho a oferecer senão sangue, trabalho, suor e lágrimas".

(Winston Churchill)


Quarentena meia boca

O Brasil poderia alcançar resultados mais expressivos no combate ao covid-19, achatando de maneira mais rápida a curva do crescimento da epidemia. PODERIA. Mas não vai alcançar essa meta por algumas razões: 1. Nosso ethos tende a não seguir rigidamente as normas; somos um povo muito voltado para as transgressões; 2. A sociedade, mesmo apoiando com força o isolamento social, não age como impõem as regras. Em alguns espaços, até parece que o povo está gozando férias, indo às praias, fazendo festinhas; 3. O presidente da República, ele mesmo, funciona como aríete do escudo de defesa. Defende o fim do isolamento, com exceção da população idosa. E muita gente leva em conta a garantia de Bolsonaro de que só a volta ao trabalho evitará a ruína do país.


Crise política

Há uma crise política que acaba corroendo o esforço sanitário. Essas duas ondas – a favor e contra o ministro Luiz Mandetta – se chocam, geram atritos e certamente criam um impacto negativo nos quadros de vanguarda que estão à frente da batalha. Mandetta conta com maciço apoio social, mas ao ser comandado por um governante que não aprova sua conduta, sente-se inseguro. Bolsonaro pôs o ministro na panela e o caldo, já quente, pode entornar. Felizmente, o ministro tem o apoio de colegas importantes do Ministério, com exceção da "corte de bajulação", formada por figuras de comportamento polêmico.


E esse Weintraub, hein?

Esse ministro da Deseducação, Abraham Weintraub, deveria ser submetido a um teste psicológico. Como é que um sujeito como ele faz gozação com os chineses, ironizando sua maneira de falar português? Ora, e logo no momento em que o Brasil carece importar produtos chineses para a batalha contra o coronavírus? Não bastasse a gafe - a deselegância do deputado Eduardo Bolsonaro - , cometida há dias contra a China, agora esse ministro que aprecia deseducar aparece com mais uma brincadeira de mau gosto contra o nosso maior parceiro comercial. E o que diz seu chefe, o presidente? Nada. O que significa que apreciou a brincadeira. Até quando o Brasil vai suportar tanta insanidade?


O pico da crise

Projeta-se para o final deste mês de abril o pico da pandemia. São Paulo teria, segundo cálculos de especialistas, cerca de 1.300 mortos. O que se observa é que os atuais números se referem aos habitantes do meio da pirâmide, o habitat das classes médias. E quando as margens entrarem fortes no circuito? Será uma avalanche? Haverá leitos para abrigar as ondas das margens? A curva já estaria achatada de forma a disponibilizar leitos em UTIs? E a tal da segunda onda? Já estamos convivendo com ela?


A nova ordem

O termo começa a se espalhar: o mundo implantará uma Nova Ordem que mudará o vértice de costumes e modos, relações entre nações, universo do trabalho, parcerias estratégicas, pesquisas nas áreas das ciências, tecnologia e biotecnologia, turismo, imigração, redefinição de papéis sociais das organizações, redefinição de políticas sociais, o mundo do teletrabalho, o nacionalismo, as redefinições partidárias, o presidencialismo e o parlamentarismo, a proteção de fronteiras, as forças de segurança, os novos alcances dos organismos internacionais, ocidentalismo x países asiáticos, os conflitos comerciais entre as grandes potências, entre outros temas. A Nova Ordem nasce no horizonte de um Novo Tempo.


Sequência de crises

Fareed Zakaria é uma boa referência de colunista em The Washington Post. Ele prevê uma constelação de crises. Esta é a crise sanitária. Devastadora. A próxima é a econômica. Ligeiro pano de fundo: os EUA já perderam 10 milhões de empregos, superando os 8,8 milhões de 2008/2010, ciclo da recessão. Depois, teremos a crise do endividamento. Muitos países, a partir dos europeus, entrarão em colapso fiscal. A Alemanha sofrerá uma contração de 5%. Na sequência, a crise dos países em desenvolvimento. Serão atingidos com violência e empurrados para a Grande Depressão. Inclusive, o Brasil. Ao pano de fundo, os países do petróleo. O barril, hoje em torno de US$ 65, pode vir abaixo de US$ 15. Um desastre, eis que as empresas produtoras só conseguem lucrar com o barril acima de US$ 65.


Endividamento

O endividamento público e privado subirá às alturas. Com o PIB global de US$ 90 trilhões, o endividamento chegará a US$ 260 trilhões. EUA e China apresentarão dívidas a taxas do PIB de 210% e 310% respectivamente. Mais um pano de fundo: a cooperação global entrou em colapso. China e EUA vivem estado de tensão. A União Europeia às voltas com quedas graves no mercado acionário. Melhoria no horizonte cinzento? Sim. Quando as Nações tomarem consciência da necessidade de maior cooperação com a descoberta e tratamentos eficazes e vacinas. E, claro, a partir da reabertura das economias.


Perfis em crescimento

Ronaldo Caiado, em Goiás; João Doria, em SP; Wilson Witzel, no RJ; governadores do Nordeste; quadros médicos que estão no campo de batalha contra o coronavírus; empresas e empresários que fizeram e fazem doações; laboratórios e instituições que pesquisam vacinas contra a pandemia; Rodrigo Maia, presidente da Câmara e Davi Alcolumbre, presidente do Senado; imprensa, com destaque para alguns colunistas; o bom humor de alguns blogs.


Perfis em baixa

Alas radicais da política, que se digladiam nas redes sociais; teia de robôs a serviço do ódio; certos ministros que não acertam o passo aos novos tempos; gente treinada para produzir fake news e versões estapafúrdias.


Invasões

Pode haver algum tumulto, mais adiante, face à ameaça de desabastecimento no setor de alimentos. Mas esse cenário é pouco provável se a produção retomar seu fluxo. Urge lembrar que a indústria continua a funcionar. Poderia haver barulho grande se categoria como a dos caminhoneiros fechar as estradas.


Legislativo e Judiciário

Esses dois Poderes têm se adaptado à dinâmica da crise. A ação via internet joga os poderes no centro do mundo digital. Parlamentares e ministros deveriam aproveitar para refletir sobre seu trabalho nos dias de amanhã.


Renúncia do prefeito

O povo de Varginha/MG está atento. O prefeito Antônio Silva (PTB) assinou decreto permitindo a retomada do funcionamento do comércio durante a atual pandemia do coronavírus. O povo reagiu. Foi intensa a repercussão negativa. O prefeito ficou no canto do ringue. E renunciou ao cargo. O povo brasileiro expande o vigor crítico. Lição para o presidente Jair.


Títono

"Formosa fábula, a que se conta de Títono. Estando por ele apaixonada, a Aurora, desejosa de lhe gozar a companhia, implorou a Júpiter que seu amado jamais morresse. Mas, em seu açodamento, esqueceu-se de acrescentar à súplica que ele também não padecesse as agruras da idade. De modo que Títono se viu livre da condição mortal. Sobreveio-lhe, porém, uma velhice estranha e miserável, como a que toca aqueles a quem a morte foi negada e que carregam um fardo de anos cada vez mais pesado. Então Júpiter, condoído, transformou-o finalmente em cigarra".


(Francis Bacon, A Sabedoria dos Antigos)

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