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Os limites do marketing

Os administradores públicos se esforçam para criar uma identidade. Criam símbolos, sejam marcas, logotipos, slogans etc para serem reconhecidos pelo eleitor. A cruz de Cristo é, seguramente, um dos mais fortes símbolos da Humanidade. O sistema cognitivo das pessoas o associa imediatamente a Jesus. Essa tradição de uso de sinais é milenar. O marketing político faz uso deles para deixar o candidato mais próximo ao eleitor. Já o marketing governamental também neles se apóia para identificar o gestor – presidente, governador, prefeito e outros protagonistas. Ora, separar os limites entre marketing governamental e marketing eleitoral é uma tarefa quase impossível. Os limites são tênues. Candidatos se esforçam para ser reconhecidos por sua obra. Que é geralmente associada a um sinal. É a estética estabelecendo ligação com a semântica.


A MULTA DE DORIA


Feita a análise conceitual acima, vamos ao caso. A juíza Cynthia Tomé, da 6ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, impõe multa de R$ 200 mil, abrindo nova ação de improbidade contra o ex-prefeito João Doria (PSDB). Argumenta que ele faz promoção pessoal com o uso da expressão Acelera- SP. Tem sentido isso? Jânio Quadros usava o cabelo desgrenhado e olhos esbugalhados como marca. Muitos usam ainda o V da Vitória, símbolo usado por Winston Churchill por ocasião da vitória das forças aliadas contra as forças nazistas de Hitler. Coisa natural. Tentar, agora, despregar o sinal do Acelera-SP da imagem de João Doria é arrematado viés jurídico. Ele está terminantemente proibido de usá-lo. Imaginemos o ex-prefeito flagrado ao brincar com uma criança e usar o gesto. Mais 200 paus de multa. Ou mais. Meu Deus, quanta insensatez.

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