Ministro da Defesa, mais um que deixa o governo

O Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, comunicou nesta segunda-feira, 29, sua demissão da pasta. A informação foi confirmada pela assessoria do ministério, em nota. Segundo o Estadão, o presidente Jair Bolsonaro havia pedido a saída do ministro do cargo.


No comunicado, Azevedo agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro e reforçou sua lealdade ao chefe do Executivo. "Agradeço ao Presidente da República, a quem dediquei total lealdade ao longo desses mais de dois anos, a oportunidade de ter servido ao País, como Ministro de Estado da Defesa. Nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado", informou. Na agenda do presidente consta que os dois se reuniram no início da tarde desta segunda-feira.


A reportagem apurou que Bolsonaro pediu a saída de Azevedo após uma entrevista do general Paulo Sérgio, responsável pela área de saúde do Exército, ao jornal Correio Braziliense. À publicação, o militar apontou a possibilidade de uma 3.ª onda da covid-19 no País nos próximos meses e defendeu lockdown, contrariando o que prega o presidente, crítico a medidas de isolamento social.


De perfil moderado e com experiência na relação com o Congresso, Azevedo foi assessor do ministro Dias Toffoli na presidência do Supremo Tribunal Federal antes de assumir o cargo no governo Bolsonaro. Seu currículo, porém, é extenso e variado e tem distintas ligações com diversos segmentos políticos. Assumiu a Autoridade Pública Olímpica, em outubro de 2013, no governo Dilma Rousseff. Foi chefe da ajudância de ordens do ex-presidente Fernando Collor. No exterior, uma de suas funções foi no Haiti, onde exerceu o cargo de Chefe de Operações do II Contingente do Brasil na Minustah.


No ano passado, foi criticado por participar de um ato em Brasília a favor do governo com Bolsonaro. Na ocasião, o ministro e o presidente sobrevoaram uma manifestação a bordo de um helicóptero. Na ocasião, a assessoria de imprensa do ministério justificou a presença dele como necessária para "checar as condições de segurança" da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes.


A segurança do presidente, porém, é feita pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado pelo general Augusto Heleno, que não estava presente, e não pelo Ministério da Defesa.


A saída do ministro da Defesa pegou até mesmo aliados do presidente de surpresa, como a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e o senador Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo no Congresso.


Integrantes do Exército também foram pegos de surpresa com a saída do ministro da Defesa. Segundo um general da ativa ouvido pela reportagem, a situação ainda não está clara. A demissão também surpreendeu militares da reserva que trabalham no gabinete do vice-presidente da República, Hamilton Mourão. Mas, segundo pessoas que acompanharam as discussões, Bolsonaro já tem um plano de susbstituir Azevedo.

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