Lula em estado puro

Em longo artigo publicado hoje pela Folha, o ex-presidente Lula reafirma a sua disposição de se candidatar por não ter cometido crime algum, reclama por não poder conceder entrevista ou gravar vídeos na prisão e diz que “o Brasil já teve dias melhores”. Seus argumentos: “... o desemprego aumenta, mais pais e mães não têm como sustentar suas famílias... a pobreza cresce, e as perspectivas econômicas pioram cada dia”. E mais: “O Brasil precisa restaurar sua democracia e se libertar dos ódios que plantaram para tirar o PT do governo...”

Convém ler os argumentos do ex-presidente com a devida cautela e isenção para evitar que, mais uma vez, o contorcionismo político se sobreponha à verdade e altere a história.


Primeiro, o desemprego no Brasil chegou aos atuais índices – treze milhões de pessoas – nos governos petistas. Se pais e mães passam por dificuldades, é decorrência da maior recessão já enfrentada pelo País ao longo de sua existência, fruto das políticas erradas do partido de Lula. Quanto aos ódios, os brasileiros sabem bem quem implantou a discórdia com o discurso do “nós” contra “eles” – ou da mortadela contra a coxinha. Acabou que “eles” (a maioria do povo) saíram às ruas em 2013 contra o então governo de Dilma Roussef, nas maiores manifestações de rua da história, culminando em seu impeachment em 2016. O PT chama a isso de golpe, embora tenha partido do povo com seus panelaços.


Quando Lula diz hoje que “eu não vou mudar esta minha fé nos brasileiros, na esperança de milhões em um futuro melhor”, certamente está se dirigindo ao seu público militante, representado pelo “nós”.


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