Irritado, Maia deixa a linha de frente da reforma


O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou em um telefonema ao ministro Paulo Guedes, da Economia, na quinta-feira, que a responsabilidade por conquistar votos para a reforma da Previdência, a partir de agora, será do presidente Jair Bolsonaro. E não mais dele, informa Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.


Maia teria dito a Guedes que a partir de agora fará a "nova política", que se resume a não fazer nada e esperar por aplausos das redes sociais.


Mas disse que, sim, a responsabilidade de buscar votos para a aprovação da reforma é de Bolsonaro: "O papel de articulação do executivo com o parlamento nunca foi e nunca será do presidente da Câmara".


"Eu continuo ajudando. Sei que a reforma da Previdência é fundamental e não abro mão dela. E concordo com o presidente: é preciso construir uma maioria de uma nova forma. Essa responsabilidade é dele".


"Quando o presidente Bolsonaro tiver a maioria e achar que é a hora de votar a reforma, ele me avisa e eu pauto para votação. E digo com quantos votos posso colaborar".


A relação de Bolsonaro com o Congresso passa por desgastes. Os parlamentares se queixam de que não são ouvidos pelo Palácio do Planalto e se irritam com as recorrentes declarações que Bolsonaro de que não fará a "velha política".


No caso de Maia, a situação é agravada pelos ataques que o próprio filho do presidente Carlos Bolsonaro já fez a ele nas redes sociais.


A prisão de Michel Temer, na quinta-feira, conturbou ainda mais o ambiente político.

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