Ex-diretor da Saúde preso acusado de mentir em CPI

O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), mandou prender o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias ao final de seu depoimento à comissão, ontem, informa o Estadão. Aziz alegou falso testemunho de Dias, acusado pelo PM Luiz Paulo Dominghetti de pedir propina em negociação para compra de vacinas contra a covid-19. Dias, primeiro depoente a ser preso pela CPI, disse que o encontro com Dominghetti em um restaurante de Brasília foi “acidental”. Mensagens extraídas do celular do PM desmentiram essa versão. Dias foi detido pela Polícia Legislativa. “Os áudios que nós temos do Dominghetti são claros”, afirmou


O presidente da CPI fazia referência a mensagens trocadas entre o PM, o coronel Marcelo Blanco, ex-assessor do Ministério da Saúde, e um outro interlocutor, que já falavam na negociação. A decisão de Aziz dividiu os integrantes da CPI. No fim da noite, Dias pagou fiança de R$ 1,1 mil e foi solto.


Acusado pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti de pedir propina em negociação para compra de vacinas contra coronavírus, Dias foi pego em contradição ao dizer que o encontro com o homem que tentava vender o imunizante havia sido “acidental”, quando conversas gravadas desmentiram essa versão.


“Os áudios que nós temos do Dominghetti são claros”, afirmou Aziz. O presidente da CPI fazia referência a mensagens de voz trocadas entre o policial militar, o coronel Marcelo Blanco, ex-assessor do Ministério da Saúde, e um outro interlocutor chamado Guilherme Filho Odilon, que já falavam na negociação da vacina com Dias. Os áudios foram revelados pela CNN Brasil.


“Não aceito que a CPI vire chacota. Temos 527 mil mortos e os caras brincando de negociar vacina”, disse Aziz, em voz alta, ao pedir a prisão. “Por que não teve esse empenho (do governo) para comprar vacina da Pfizer naquela época? Ele vai estar detido agora pelo Brasil, porque nós estamos aqui pelo Brasil, pelos que morreram.” Houve muito bateboca na sessão e acusações de que Aziz estava cometendo “abuso de poder”. A defesa do ex-diretor entrou com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal para tentar derrubar a prisão.


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