Doria: “Jamais nomearia filho para uma embaixada”


O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), elevou o tom de suas críticas a Jair Bolsonaro. Ainda não chegou àquela fase em que os candidatos dizem coisas definitivas, mas começou a definir algumas coisas que o deixam mais próximo de 2022, informa a Folha de S. Paulo. Já não poupa nem a dinastia do presidente:


“Eu jamais nomearia meu filho nem ninguém da minha família para nenhuma função pública, ainda mais numa circunstância de uma embaixada que é a mais importante embaixada brasileira no Exterior", disse Doria sobre a intenção de Bolsonaro de acomodar Eduardo, seu filho 03, na chefia da representação diplomática do Brasil em Washington. Doria conversou com o Blog do Josias nesta terça-feira.


O governador tomou distância do radicalismo ambiental de Bolsonaro: "Não é um bom caminho". E contou ter recolhido em viagem recente a Londres as piores impressões: "No caso da Comunidade Europeia posso afirmar que a reação foi muito forte. E pode colocar em prejuízo o agronegócio brasileiro".


Doria avalia que a retórica de Bolsonaro pode melar inclusive o acordo recém firmado entre Mercosul e União Europeia: "Se não houver uma mudança de discurso, esse risco é real". Segundo o governador, o derretimento da imagem do Brasil não ocorreu apenas na Alemanha e na Noruega, países que suspenderam doações milionárias para programas de preservação da floresta amazônica: "Os franceses também reagiram fortemente. Até mesmo países latinos como Espanha, Portugal e Itália reagiram mal às colocações mais radicalizadas do governo brasileiro".


Doria reprovou a atitude de Bolsonaro de cancelar audiência com o chanceler da França, Jean-Yves Le Drian. Disse que o personagem passou por "enorme constrangimento" ao verificar que o presidente deixara de recebê-lo para fazer poses nas redes sociais cortando o cabelo: "Não foi um bom gesto".


Doria fez reparos também à política externa cultivada pela gestão Bolsonaro. Considera que há excesso de personalismo e de ideologia nas relações de Brasília com Washington e Buenos Aires. Não deseja que a Casa Branca seja tratada na base do ponta-pé. Mas acha que Estados Unidos e China deveriam estar em pé de igualdade. Quanto à Argentina, a exemplo de Bolsonaro, Doria torce pela reeleição do presidente Mauricio Macri, de quem se diz amigo. Entretanto, reprova a tática de Bolsonaro de tratar como inimigo do Brasil o favorito Alberto Fernández, que carrega Cristina Kirchner na vice. "A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil".

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