Covas e Boulos no 2º turno. DEM e esquerda mais fortes


Pulverização partidária, ressurreição da esquerda - agora sem a tradicional hegemonia do PT -, ascensão do DEM e derrota do bolsonarismo foram as principais marcas das eleições municipais de 2020. Impactados pela pandemia de covid-19 e obrigados a votar de máscaras no rosto e álcool em gel nas mãos, os eleitores privilegiaram em suas escolhas nomes já conhecidos e com experiência pública testada, ou no Executivo ou no Legislativo, informa o Valor Econômico.


Essa foi uma eleição com características bastante distintas do último pleito, em 2018. Há dois anos, postulantes que negavam a política se elegeram nos Estados e despontaram como novas lideranças no Congresso, puxados pelo radicalismo e o discurso de extrema-direita de Jair Bolsonaro. O fenômeno, agora, não se repetiu. Em São Paulo, Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (Psol) vão disputar o segundo turno.


A disputa foi realizada em 5.567 municípios em meio à pandemia, com o número recorde de 556.033 candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador, em que os 147,9 milhões de eleitores aptos a votar foram chamados a exercer esse direito. Um pleito adiado, fora da data convencional das eleições brasileiras, mas com menor período de campanha de rua desde a redemocratização.


De 13 candidatos à reeleição em capitais, seis foram reeleitos no primeiro turno e outros seis estão no segundo turno. O único prefeito derrotado já no primeiro turno foi o tucano Marchezan Júnior, em Porto Alegre. Haverá disputa em segundo turno em 18 capitais.


Depois de ser ofuscada e minguar no auge da era petista no governo federal, o DEM venceu no primeiro turno em três capitais - Florianópolis, Curitiba e Salvador - e chega fortalecida para o segundo turno no Rio de Janeiro, com Eduardo Paes. O ex-prefeito vai disputar com o atual mandatário, Marcelo Crivella (Republicanos), apoiado por Bolsonaro.


Curitiba reelegeu Rafael Greca, com 59,7%. Em Florianópolis, o prefeito Gean Loureiro (com 53,5%) também terá um segundo mandato. O vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis, escolhido pelo atual prefeito e presidente nacional da sigla, ACM Neto, obteve o resultado mais expressivo das 25 capitais: 64,2% dos votos válidos.


Em Macapá, a eleição foi adiada. Outra vitória acachapante foi a de Alexandre Kalil (PSD), em Belo Horizonte. O prefeito foi reeleito com 63,4% dos votos. Também foram reeleitos ontem Cinthia Ribeiro (PSDB), em Palmas, Álvaro Dias (PSDB), em Natal; Marquinhos Trad (PSD), em Campo Grande.


Em São Paulo a apuração atrasou como nunca havia ocorrido desde a instituição da urna eletrônica, há mais de 20 anos. O prefeito Bruno Covas (PSDB) disputará o segundo turno com Guilherme Boulos (Psol). A apuração final não tinha sido divulgada até meia-noite. A passagem inédita de um candidato do Psol ao segundo turno em São Paulo alça Boulos ao primeiro escalão de lideranças de esquerda do país.


A esquerda mostrou força ao chegar competitiva para o segundo turno em capitais relevantes. Além da performance surpreendente de Boulos, pelos menos outros quatro representantes deste campo se destacam: Manuela D´Ávila (PCdoB) em Porto Alegre, que vai disputar o segundo turno com Sebastião Melo (MDB); Marília Arraes (PT) que enfrenta no Recife o primo João Campos (PSB), filho de Eduardo Campos; Edmilson Rodrigues (Psol), que em Belém chega ao segundo turno com o Delegado Eguchi (Patriota); e João Coser (PT) em Vitória, que duela com Delegado Pazolini (Republicanos) na próxima fase da disputa.

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