Butantã começa a produzir a vacina chinesa Coronavac


O governador João Doria (PSDB) anunciou nesta quinta-feira o início da produção nacional da vacina Coronavac, desenvolvida em parceria entre o Instituto Butantã e a farmacêutica chinesa Sinovac. De acordo com ele, 11 Estados já firmaram acordo com o Butantã ou negociam a compra do imunizante, informa O Estado de S. Paulo. Os resultados de eficácia da vacina ainda não foram apresentados à Anvisa e o governo manteve a previsão de que eles sejam divulgados até o próximo dia 15.


A produção local teve início na noite de quarta-feira, 9, na fábrica do Butantã em São Paulo. Neste primeiro momento, somente a etapa final da fabricação será feita no Brasil, com a importação da matéria-prima (ingrediente ativo) da China e formulação, envase e rotulagem feita nacionalmente. Nessa fase, também são realizados testes de qualidade.


Somente depois de concluído o processo de transferência de tecnologia da Sinovac para o Butantã, previsto para o fim de 2021, é que a produção poderá ser 100% nacional. Foram contratados 120 novos técnicos para trabalhar na produção da vacina, cuja fábrica passou a funcionar "24 horas por dia e 7 dias por semana", aumentando sua capacidade de produção diária para 1 milhão de doses.


Por enquanto, só foram importadas da China 120 mil doses prontas da Coronavac e matéria-prima para a fabricação local de 1 milhão de unidades do produto. Novas remessas devem chegar entre dezembro e janeiro. Serão 6 milhões de doses prontas e insumos para a produção de outras 40 milhões.


Os Estados que negociam a compra da Coronavac são Acre, Pará, Maranhão, Roraima, Piauí, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Sul. Ao todo, 276 municípios também já formalizaram o interesse na aquisição do imunizante e, de acordo com Dimas Covas, diretor do Butantã, outros 912 também já manifestaram a intenção, que "deve ser formalizada nos próximos dias".


O governador afirmou que ainda não recebeu nenhuma comunicação formal da pasta sobre um eventual interesse do governo federal em comprar doses da vacina do Butantã, embora o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, tenha dito nesta quarta, 9, que ela pode ser incorporada caso haja o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Desejamos uma manifestação clara, escrita, de que a Coronavac fará parte do Programa Nacional de Imunização", afirmou Doria.


Covas disse que o Butantã tentará, junto à Anvisa, os dois caminhos possíveis para registro da Coronavac. "Brevemente teremos os resultados da fase 3 (eficácia). Submeteremos (os dados) tanto pelo rito normal quanto pelo uso emergencial", disse.


Ele não descartou a possibilidade de pedir liberação excepcional de uso para a Anvisa a partir da aprovação do imunizante em outras agências regulatórias com base na lei federal 13.979/2020, que autoriza a importação de produtos e insumos sem registro no País, contanto que eles tenham licença nos Estados Unidos, Europa, Japão ou China.


Nenhum país concedeu registro ainda à Coronavac porque ela ainda não teve os resultados de eficácia divulgados. A expectativa, porém, é que, assim que os dados da fase 3 dos testes sejam apresentados, o pedido de registro seja feito na China também.

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