Bolsonaro, “no limite”, diz ter apoio das Forças Armadas


Durante ato que reuniu manifestantes a seu favor, ontem, em Brasília, Jair Bolsonaro foi às redes sociais e, numa live, reforçou o esgarçamento das relações do Executivo com o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente declarou que as Forças Armadas estão ao lado do seu governo e que pede a Deus que “não tenhamos problemas nesta semana” porque ele “chegou no limite” e “daqui para frente não tem mais conversa”, informa O Estado de S. Paulo.


Bolsonaro disse que “o povo está conosco, as Forças Armadas ao lado da lei, da ordem, da democracia, liberdade, também estão ao nosso lado”. Ele anunciou que vai nomear hoje um novo diretor para a Polícia Federal e não irá mais admitir interferência em seu governo: “Acabou a paciência”. Quando a transmissão foi feita, uma multidão se aglomerava em frente ao Palácio do Planalto. Os bolsonaristas pediam a saída do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) da presidência da Câmara e o fechamento do STF.


Incitado por um ato que reuniu manifestantes, o presidente fez uso das redes sociais para renovar o esgarçamento das relações do Executivo com o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). E declarou que as Forças Armadas estão ao lado do seu governo e pede a Deus que “não tenhamos problemas nesta semana” porque ele “chegou no limite” e “daqui para frente não tem mais conversa” e a Constituição “será cumprida a qualquer preço”.

“Vocês sabem que o povo está conosco, as Forças Armadas ao lado da lei, da ordem, da democracia, liberdade, também estão ao nosso lado. Vamos tocar o barco, peço a Deus que não tenhamos problema nessa semana, porque chegamos no limite, não tem mais conversa, daqui para frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição, ela será cumprida a qualquer preço. Amanhã nomeados novo diretor da PF, e o Brasil segue seu rumo”.

Na live, o presidente afirmou ainda que não irá mais admitir interferência em seu governo. “O que nós queremos é o melhor para o nosso País, a independência verdadeira dos três Poderes, não apenas uma letra da Constituição. Chega de interferência, não vamos mais admitir interferência, acabou a paciência.”


Quando a transmissão foi feita, uma multidão se aglomerava em frente ao Palácio do Planalto. Em um ato de caráter antidemocrático e contrário ao que recomendam os órgãos de Saúde, bolsonaristas pediam a saída do deputado Rodrigo Maia (DEMRJ) da presidência da Câmara e o fechamento do Supremo Tribunal Federal.


As palavras de Bolsonaro têm endereço certo. As declarações ocorrem dias depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, proibir a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para a Polícia Federal, e o ex-ministro Sérgio Moro prestar depoimento num inquérito que tramita no Supremo e no qual Bolsonaro é investigado por supostamente tentar interferir no comando da PF para ter acesso ilegal a inquéritos sigilosos que miram seus filhos e apoiadores. A acusação foi feita por Moro ao se demitir do governo.

Oficiais-generais influentes ouvidos pela reportagem avaliaram que o presidente tentou fazer uso político do capital das Forças Armadas, o que provocou novo incômodo no setor.


Na rampa do Palácio do Planalto, sem microfone para fazer discurso, Bolsonaro ficou cerca de uma hora, acenando à população. No dia em que o Brasil ultrapassou o número de mais de 100 mil pessoas contaminadas pela covid-19 e mais de 7 mil pessoas mortas, os manifestantes tomaram conta da região central de Brasília, formando filas quilométricas por um lado inteiro da Esplanada dos Ministérios.


O que, em princípio, tinha sido anunciado com uma grande carreata de apoio a Bolsonaro, transformou-se em uma significativa manifestação de rua, com milhares de pessoas aglomeradas em frente ao Congresso e ao Palácio do Planalto, pedindo a queda do Legislativo e do Judiciário.


A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal não informou quantos manifestantes participaram do ato, que teve início às 10h e foi encerrado por volta das 14h. A multidão tomou boa parte do gramado central do Congresso e a frente do Palácio do Planalto.


Durante a manifestação, apoiadores do presidente agrediram com chutes, murros e empurrões a equipe de profissionais do Estadão que cobria o evento.

Bolsonaro desceu a rampa por volta de 13h e foi cumprimentar os presentes na beira do alambrado que cerca o local. Mais uma vez em desrespeito às medidas de prevenção contra a covid-19, o presidente voltou a se aproximar dos populares e incentivou a aglomeração onde a maioria nem sequer utilizava máscaras de proteção.


Diferentemente do que se viu duas semanas atrás, quando Bolsonaro participou de um ato onde manifestantes pediam a intervenção militar no País, ato alvo de investigação determinada pelo Supremo – neste domingo falou-se menos em golpe militar. Os bolsonaristas procuraram centrar fogo direto em Rodrigo Maia e no STF.


Muitas criticavam também o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, com xingamento de “Judas”, termo usado por Jair Messias Bolsonaro para se referir ao ex-aliado.


O acirramento dos ânimos na política ocorre em pleno surto de coronavírus no País, que enfrenta uma escalada no número de contaminados e perspectiva de aumento da curva de infecção nas próximas semanas, segundo autoridades da saúde. O Brasil, que hoje chega a 101 mil casos confirmados da doença, tinha 9,2 mil casos há exatamente um mês. Em 30 dias, portanto, esse número cresceu 11 vezes. As mortes pela covid-19, que chegavam a 365 vítimas em 03 de abril, se multiplicaram por 20 em apenas 30 dias, e hoje são mais de 7 mil pessoas.


Para a aposentada Graça Teixeira, de 72 anos, que foi para a esplanada com uma bandeira do Brasil e entrou no meio da manifestação, não há o que temer. “Não tenho medo da doença”, disse ela. “Quem tem medo de morrer, não nasce.”

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