Bolsonaro manda cancelar compra da vacina chinesa


O presidente Jair Bolsonaro afirmou que mandou "cancelar" o protocolo de intenções assinado nesta terça-feira, 20, pelo Ministério da Saúde para a aquisição de 46 milhões de vacinas da farmacêutica chinesa Sinovac. Bolsonaro destacou, no entanto, que está "perfeitamente afinado com o Ministério da Saúde trabalhando na busca de uma vacina confiável".


O presidente disse que a vacina chinesa vai custar US$ 10 por pessoa, o que daria um valor muito elevado para vacinar 100 milhões de pessoas. “Nada será despendido agora para comprarmos uma vacina chinesa, que desconheço, mas parece que nenhum país do mundo está interessado nela. Pode ser que tenha algum país aí. Agora, as vacinas têm que ter comprovação científica, diferente da hidroxicloroquina", declarou.


“Houve uma distorção por parte do senhor João Doria no tocante ao que ele falou. Ele tem um protocolo de intenções, já mandei cancelar, se ele assinou. Já mandei cancelar. O presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade, até porque estaria comprando uma vacina que ninguém está interessado por ela, a não ser nós”, disse.


O presidente também afirmou que o governo está trabalhando para ter uma vacina segura. “Estou conversando com o Pazuello e seus médicos sobre isso. Acho que a população está cansada dos discursos de terrorismo desde o começo da pandemia. Chega. Os números têm apontado que a pandemia está indo embora. Perseguimos a vacina, lá atrás destinamos recursos para participar da pesquisa e o desenvolvimento da vacina de Oxford, para ter uma cota para nós.”


Depois de ter dito que mandou cancelar o compromisso de compra da vacina, Bolsonaro sinalizou que confia no trabalho de Pazuello. “Estamos perfeitamente afinados com o Ministério da Saúde, trabalhando na busca de uma vacina confiável. As vacinas têm de ter comprovação científica de sua eficácia, diferente do que foi feito nessa aí, tem de ter sua eficácia. Não pode inalar (sic) numa pessoa e o malefício ser maior que o benefício. Fora isso é tudo especulação um jogo político. Lamentável esse governador, parece que só sabe fazer isso.”


As declarações foram feitas um dia após o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em reunião com 24 governadores, assinou um protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da Coronavac. "A vacina do Butantã será a vacina do Brasil", disse Pazuello, ao anunciar o acordo. Na reunião de terça, a expectativa era de que a aquisição ocorresse até o fim do ano, após o imunizante obter registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que a vacinação começasse já em janeiro. O ministério informou que investiria R$ 1,9 bilhão na compra. O recurso extra seria liberado por medida provisória.


Ao anunciar o acordo, Pazuello ressaltou que a "vacina do Butantã será a vacina brasileira" ao lembrar que o imunizante, mesmo tendo sido desenvolvido na China, será produzido integralmente na fábrica do Butantã, em São Paulo.


Na manhã desta quarta, porém, respodendo a críticas que recebeu em suas redes sociais, Bolsonaro disse que não ia comprar a vacina. Algumas horas depois, o Ministério da Saúde se manifestou em nota e em coletiva do secretário-executivo da pasta, Elcio Franco, reforçando que não "há intenção de compra de vacinas chinesas". Segundo a pasta, a fala do ministro Eduardo Pazuello do dia anterior foi mal interpretada.


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